Por, muitas vezes, arquitetos e engenheiros civis desenvolverem atividades parecidas e relacionadas, muitos ainda têm dúvidas sobre qual a função específica de cada um. De fato, professores de ambos os cursos apontam que as duas profissões são complementares e igualmente importantes numa obra.
Arquitetura e Engenharia podem se encontrar em diversas áreas, mas é na Construção Civil que tal contato requer maior cumplicidade. Geralmente, o arquiteto é contratado para elaborar a planta, ou seja, planejar a utilização do espaço na construção, embasado não só na racionalidade, mas também em preceitos estéticos e artísticos. Já, ao engenheiro civil cabe a parte técnica da obra: executar o projeto arquitetônico, por ter base para calcular a distribuição das cargas ou para projetar as instalações hidráulicas, por exemplo. O engenheiro também é responsável por projetos complementares, como o estrutural.
A rixa entre esses dois tipos de profissionais é histórica, mas, principalmente nas grandes obras, arquitetos e engenheiros trabalham em conjunto. As profissões chegam a se mesclar nas pequenas obras, já que engenheiros podem assinar projetos arquitetônicos e arquitetos podem até gerenciar obras de pequeno porte. Isso faz com que o número de engenheiros que posteriormente buscam uma graduação também em arquitetura e vice-versa seja muito grande. Engenheiros-arquitetos evidenciam uma melhor qualidade de projetos a partir da dupla formação.
Havia uma única entidade que regulava todas as atividades profissionais de ambas as profissões, o CREA: Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. No entanto, a criação do CAU, Conselho de Arquitetura e Urbanismo foi aprovada, o que pode provocar separação maior entre as duas profissões.
Nas universidades, as grades curriculares dos dois cursos tendem a ser bastante diferentes. Os estudantes de Civil têm uma formação mais técnica, mais sólida em ciências exatas, como matemática e física. Engenheiros precisam ter uma base bem profunda de cálculo, projetos estruturais, hidráulicos, elétricos, etc. Já os graduandos de Arquitetura focam em disciplinas como história da arte, conforto ambiental, desenho, projeto arquitetônico.
Ainda assim, Engenharia Civil é um dos cursos com mais ampla área de atuação no mercado. Se a Construção Civil representa o auge da união entre arquitetos e em engenheiros, estes podem ainda, trabalhar na área de saneamento, de transportes ou até na de geotecnia, por exemplo. Já os arquitetos têm como área de atuação mais específica as restaurações, o paisagismo e o design de interiores.
Seguindo a tendência de aproximar os dois cursos, universidades como a USP, Universidade de São Paulo, já adotaram um programa de dupla formação. Quem opta pelo programa conclui sua formação em sete anos: cinco na faculdade de origem (ou Engenharia Civil ou Arquitetura) e mais dois anos para que os engenheiros incorporem à sua graduação a ideia de projeto arquitetônico, de estética, de humanidades, de história da arte e de urbanismo, e para que os arquitetos tenham contato com os processos construtivos, a tecnologia dos materiais, as ferramentas de trabalho, entre outros conceitos mais técnicos.
Os professores do programa evidenciam que além de saírem com uma graduação mais completa, seus alunos quebram a separação histórica dos dois cursos. A iniciativa visa maior harmonia nas obras e promete um verdadeiro salto na qualidade dos projetos. Vale ressaltar que em seus primeiros anos o projeto atraia mais estudantes de Arquitetura do que os de Engenharia Civil, pela dificuldade de seu próprio curso, mas que o projeto se mostra mais estável e eficaz com o tempo.
Fonte: Gazeta do Povo

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